sábado, 1 de setembro de 2012

Ecce Homo?! Esses mitos...


Vivemos um mundo de mitos. Cada qual com seu totem e sabe-se lá qual é a reza. Mitos nascem e caem ao sabor de ventos epicuristas. Nada muito profundo, nada muito na veia e toda fotografia que se faça do momento que seja cheia de efeitos photoshop ou filtros. 

Eu sempre preferi o lema “sem filtros, na veia”. Por isto tenho voltado a ler Nietzsche ultimamente. Dois livros em especial: A genealogia do Bem e do Mal e Crepúsculo dos Ídolos. Impressionante como soam atuais, mesmo precisando de eventuais releituras afastando da figura de Nietzsche o próprio mito que o intelectualismo babaca faz dele. 

Enfim, até hoje é tão incompreendido o filósofo bigodudo quando ele fala da morte de deus. Mas, isso é papo para outro texto. É só um parênteses.

Mas, como falei no início, o texto de hoje é sobre o mitos. Ou melhor, sobre a necessidade de fugir do mito da novidade imposta pelo mundo contemporâneo. O mito - ou os que se fazem ou foram feitos mitos - são capazes de conjugar autoritarismo e liberdade numa mesma frase sem que ninguém perceba.

A famosa piada do professor que entra em sala e diz: “Hoje vamos falar sobre Democracia”. O aluno que não se intimida pelo mito indaga: “por qual razão professor?”. O mestre responde: “Porque eu quero!”. Quem enxerga a ironia contida no diálogo? Pois, é assim. 

O mito faz coisas semelhantes e ainda é aplaudido. É o bem e o mal para quem tem a preguiça mental de enxergar a genealogia dos valores. Para quem tem preguiça mental de ir no Aurélio saber o que é genealogia e encaixar o significado de forma a entender a metáfora.

Isto sem falar quando os mitos são celebridades. Lembro que a palavra lembra célebre, que por sua vez lembra cérebro. Mas, ultimamente a ligação é com Bunda, Burrice e outros “bbb”s por aí à fora. 

Antes a construção do mito era a mentira bem contada, agora basta o flash e a vitrine? É isso...?

Bah, talvez eu seja mesmo mais um idiota fora do compasso...

Eu fico me perguntando, quem são as vacas de A Fazenda? Cada dia me parece que elas são as que não estão de quatro pés. Mas, chegará o tempo que se alimentará do mesmo capim.

Esta semana uma ex-mulher de um cantor de pagode virou heroína. Eu sei que o vocábulo heroína pode lembrar drogas...mas, não foi este o sentido. Apesar das informações em relação ao episódio serem epicuristicamente anestésicas. E lá se vão os idiotas: ajoelhem-se diante do mito, idiotizem-se diante do mito, aplaudam a burrice do mito, batam punheta para o mito...

Bah, talvez eu seja mesmo mais um idiota fora do do compasso! 

E é nesse mundo que surgem os clichês que nos vendem nos prometendo originalidade! Na boa, eu confesso: estou fora do rock colorido, dos livros de auto-ajuda, dos romances orientais, do artesanal pré-fabricado, acho Crepúsculo a pior merda que já escreveram, acho ridículo cantorzinho mordendo morcego em show, não sei qual é a graça diante de tanta espetacularização da arte quanto até versos parnasianos soam mais sinceros...e por aí vai...

No mais, uma nota de rodapé: eu tenho medo de heróis. Eles usam capas e máscaras e ficam acima do bem e do mal. Só aí, motivos suficientes para temer. 

5 comentários:

  1. Ótimo texto professor assim como todos os outros aqui presente.

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  2. Luis Vilar, sinto-me afortunada por poder ler um texto maravilhoso como este. Sensacional!

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  3. Valeu! Grato pelas palavras. Espero vocês na próxima quinta-feira!

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  4. Luis Vilar, aguardo ansiosamente.

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  5. Eu Tenho saudade da época que Mito designava os seres sobre-humanos fantasiosos para explicações dos fenômenos naturais e pela falta da explicação racional do Mundo, mas hoje em dai o Mito é o próprio ser Humano, demasiado Humano como diria Nietzsche, o poeta-rapsoudo ressurge somado com a sofista chamado Televisão ou para intensificar os mitos para se identificar com o texto e assim o Homem novamente se distanciando do seu devido lugar.

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